segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Poemou... Amo-te sem saber como Pablo Neruda


Amo-te Sem Saber Como


Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio 
ou seta de cravos que propagam o fogo: 
amo-te como se amam certas coisas obscuras, 
secretamente, entre a sombra e a alma. 


Amo-te como a planta que não floriu e tem 
dentro de si, escondida, a luz das flores, 
e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo 
o denso aroma que subiu da terra. 



Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde, 
amo-te directamente sem problemas nem orgulho: 
amo-te assim porque não sei amar de outra maneira, 



a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és, 
tão perto que a tua mão no meu peito é minha, 
tão perto que os teus olhos se fecham com meu sono. 



Pablo Neruda, in "Cem Sonetos de Amor" 


Pablo Neruda (Parral, 12 de Julho de 1904 — Santiago, 23 de setembro de 1973) foi um poeta chileno, bem como um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX e cônsul do Chile na Espanha (1934 — 1938) e no México. Neruda recebeu o Nobel de Literatura em 1971. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Pablo_Neruda)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Poemou... Eros e Psiquê - Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"




Conta a lenda que dormia 

Uma Princesa encantada 
A quem só despertaria 
Um Infante, que viria 
De além do muro da estrada. 

Ele tinha que, tentado, 
Vencer o mal e o bem, 
Antes que, já libertado, 
Deixasse o caminho errado 
Por o que à Princesa vem. 

A Princesa Adormecida, 
Se espera, dormindo espera. 
Sonha em morte a sua vida, 
E orna-lhe a fronte esquecida, 
Verde, uma grinalda de hera. 

Longe o Infante, esforçado, 
Sem saber que intuito tem, 
Rompe o caminho fadado. 
Ele dela é ignorado. 
Ela para ele é ninguém. 

Mas cada um cumpre o Destino — 
Ela dormindo encantada, 
Ele buscando-a sem tino 
Pelo processo divino 
Que faz existir a estrada. 

E, se bem que seja obscuro 
Tudo pela estrada fora, 
E falso, ele vem seguro, 
E, vencendo estrada e muro, 
Chega onde em sono ela mora. 
E, inda tonto do que houvera, 
A cabeça, em maresia, 
Ergue a mão, e encontra hera, 
E vê que ele mesmo era 
A Princesa que dormia. 

https://www.youtube.com/watch?v=4DNvvjqZ0rg

O THYSSEN ESTÁ DE VISITA EM BRASÍLIA

  De  17/6 a 26/7 exposição a céu aberto, uma beleza atrás da outra. Capturei o que mais me chamou atenção. BERTHE MORISOT - O espelho psiqu...