segunda-feira, 21 de março de 2011

Black Swan

Participamos Sábado dia 19/03/2011 da exibição do famigerado black swan com um público seleto de pessoas inteligentes que se propunha o trabalho vital da sombra.
Enquanto a película rodava, eu prestava muita atenção nas falas de algumas pessoas. “O que significa isso?” “noooosssssaaaa!” “ela matou?” “ela é doente?” “essa mãe, ninguém merece!!” “ela morreu?” “ ela roubou?” enquanto outros distraiam-se em cenas ditas picantes: “espere só para ver o que vai acontecer...”
É verdade não estamos onde nos propomos estar! Não sabemos acolher o processo enquanto ele vai acontecendo. Queremos chegar ao final, queremos ficar livres; parece-nos insuportável desfrutar integralmente da experiência.
Não acreditamos em nossas percepções, queremos que o outro nos diga o que estamos vendo. Queremos que o outro nos salve de nossos erros. A melhor parte da experiência nos aterroriza e pedimos ao outro para nos ajudar a evitar ser quem somos. E diante de tanto medo, vamos criando máscaras e nos esquecendo de nós!

E quem nos exige ser melhor do que somos? Fazer mais do que fazemos? Acertar o que não sabemos fazer? Será que quem pede que eu seja quem eu não sou, está me vendo? Por que será que dou ao outro tamanha permissão?
Por que será que enquanto o outro não me enxerga, eu também faço coro com ele não me respeitando? Por que autorizo minha invisibilidade?
Ou seja, não aceito e não quero que me tratem de qualquer jeito, no entanto, eu mesmo me destrato, faço de minha experiência uma piada, de meu medo uma brincadeira e nem me dou conta de que estou vivendo no automático.

É verdade que não posso mudar o que fizeram comigo no passado, mas posso resignificar a experiência. Se reconhecer que há em mim a princesa Odette, faz-se também imperioso identificar a princesa Odile que sou. Enquanto não identifico que erro, que falho, enveneno-me, saboto-me, fico ofertando a outros o direito de ser o verdugo de minha história, por minha culpa, minha máxima culpa! Cativo e cultivo quem me maltrata, pois é isso que o perfeccionista que vive em mim sabe fazer, disfarçar a falha, ao invés de observá-la e compreender o que ela ensina.
Assistir o cisne negro olhando cada personagem como uma parte de si, possibilita observar-se com atenção, pois se não sou de todo bem também não sou de todo mal. Apenas um ego a caminho do self!

A perfeição não nos cabe, destroça-nos. Nossa beleza vem da nossa humanidade, do respeitar nossos limites. É exatamente esse conceito que falta em nós para nós mesmos: respeito. Sofremos tanto com nossas deficiências e acreditamos tanto que não merecemos amor que nos tornamos nosso pior inimigo. Colocamos nas mãos alheias o que temos de mais precioso: nós mesmos! E iludimo-nos acreditando que lá fora nos darão o que nós não nos damos. Ninguém fará a nossa lição com a graça que fazemos. O que faz de nossa caminhada especial é o prazer da experiência. Saber e sentir que o erro que cometemos antes não cometeríamos hoje e que a experiência nos proporciona outras possibilidades faz de nossa caminhada única! Pense nisso!


Seja feliz,

Sandra Miranda

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Primeira viagem: Desapego

Vez por outra, abrimos os portais da consciência e permitimos que desabroche as mais intensas perguntas: Quem sou eu? Qual o sentido de minha vida? Para onde estou caminhando? Faço a diferença onde vivo e com quem compartilho minha existência? Vou ou fico?

Semana passada, conversando com uma jovem que trabalha comigo, ela disse-me: "na verdade, não sei se o que realmente quero é seguir a carreira de advogada. O que sei é que estou insatisfeita, sem sentir-me no meu lugar... Estudo para concurso e penso: se passo tenho que largar tudo: família, namorado, amigos, a minha casinha, minhas conquistas..."

Enquanto ela expressava sua dor por não saber como melhorar a qualidade de vida e ao mesmo tempo permanecer no convívio das pessoas queridas, desfrutando das conquistas realizadas, fui me dando conta que a história dela vive no coração da maioria de nós. Quero crescer, voar! Mas também quero permanecer onde estou, sem arriscar-me ao vôo, temendo a queda, se é que ela vai acontecer! Quero crescer, mas temo ousar e atualizar quem sou! Quero crescer, mas a criança que há em mim, ainda espera o mágico (que algo aconteça, enquanto vou ficando por aqui, neste mesmo lugar). Quero crescer, mas o apego me acorrenta aonde estou e me confundo entre ir e ficar.

A beleza da vida é justamente este vôo, pois só ele, permite descobrir o nosso potencial realizador e aí sim, iniciamos a percepção das respostas que buscamos. Sou essencialmente ilimitado, mas tenho medo e esse medo provoca o desconforto que exige de mim, o esforço para ultrapassá-lo e realizar minha transcendência.

Queremos ir, mas queremos ficar! A dualidade grita dentro de nós! É o eterno ser ou não ser? Quem ganha a batalha interior? O medo ou o herói? Tenho percebido que é o medo que faz o herói em sua jornada busca novos medos para autorealizar-se. Mais cedo ou mais tarde, vencemos sempre! Pois somos criados do pó das estrelas, nascemos para a realização, para nos plenificar enquanto self, nossa identidade essencial.

Uma semana de muitos vôos para você!

Que possamos ser felizes,

Carinho,
Sandra Miranda

Psicologar para que?


A ideia mãe de Psicologar é o autoconhecimento. Papear sobre temas que levem ao desenvolvimento interior, que estimulem a pensar enquanto self e transcenda o ego sedento de reconhecimento e atenções indevidas.

Psicologar é o ensaio crescente de melhoria na semeadura material, mental, emocional e espiritual. É a reflexão inicial do quem sou? qual meu sentido de vida? Qual o tipo de energia que mobilizo? como participo da paz no mundo?

Psicologar é uma viagem sem fim na busca da sabedoria que nos cabe. É um convite para caminharmos além do acordar....blábláblá e ir dormir. É o desejo de evoluir cotidianamente, interminavelmente, carinhosamente, até onde pudermos chegar.

Na intensão do exercício constante do amor apresento mais um pouquinho do que vou aprendendo.


Que possamos realizar nosso potencial!

carinho sempre,

Sandra Miranda

O THYSSEN ESTÁ DE VISITA EM BRASÍLIA

  De  17/6 a 26/7 exposição a céu aberto, uma beleza atrás da outra. Capturei o que mais me chamou atenção. BERTHE MORISOT - O espelho psiqu...