Enquanto ela
inquiria de um a um o que fariam no Domingo ao
mesmo tempo em que ela trabalharia e trabalharia, pensei: Por que não
acreditamos que podemos ser felizes? Por que não levamos fé no nosso poder
transformativo? Que sabor proporcionam
testemunhas que respondam nas entrelinhas que o que não se conquista é da
própria responsabilidade? Qual a cor
desta solidão? Que cheiro tem essa tortura?
O que não
fazemos por nós corroí, maltrata e enfraquece, e com o tempo passamos a
acreditar que realmente não podemos com a situação, seja ela qual for: Trabalho,
filhos, marido, corpo, idade, colegas...
Penso que nos
cabe qualquer coisa que chegue a vida e se não sabemos resolver, ainda assim podemos
olhar em torno. O outro, o caminhante ao lado, conhecido, amado profissional, ensina
e ajuda sempre!
Não querer
assumir o controle da própria vida enquanto imagina que conserta a vida alheia,
leva-nos a vários nomes, entre eles boicote, medo, culpa, boazinha, prepotência, vitimismo...
Esses mecanismos são perigosos porque além de impedir o crescimento destrói relações, solapa a
harmonia e com o tempo dilacera o autopoder.
É rejuvenescedor
pensar que se pode ir além, um pouco mais todos os dias! É gratificante saber
que cada pessoa que passa pela nossa vida traz uma sabedoria própria e aguarda a
nossa, que somos chaves uns para os outros.
Encanto-me
com o ser humano! O que cada um é capaz
de realizar é inimaginável!
Sei que o
respeito a si é uma oração, pois muda histórias, renova corações, transmuta dores em alegrias, mas é uma oração
individual, se faz necessário que se faça por si mesmo, não é possível pedir ao
outro para mudar por nós!
Por que aguardar a valorização do discurso “coitadinho”? Quando já se sabe que dentro
deste existe um rei ou uma rainha a porta?
Ninguém
ajuda alimentando a fraqueza do outro, acolher não é colocar no colo e deixar o
outro debilitar-se ou acreditar que alguém fará sua lição de casa. Acolhe-se na
medida em que a recepção é carinhosa, mas receber alguém não é o mesmo que
fazer por este.
A pergunta cabal
é: O que planejei para meu Domingo?
Com amor,
Sandra Miranda