segunda-feira, 29 de junho de 2015

Poemou ... Poemeu


Reinvenção

A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas…
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo… — mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço…
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.


Cecília Meireles )


Porque poetizar é reinventar a vida.
Sandra Miranda

domingo, 28 de junho de 2015

Emoções - O melhor encontro de Junho/15





Sem dúvida, esse é o melhor encontro do mês: Esclarecimento e encorajamento mútuos renovam-nos.

Percebemos que a baixa autoestima, o desamor são portas que se abrem para a raiva, o ressentimento e rancor e isso faz toda diferença, pois a partir daí, entendemos que a realidade é dinâmica e pode ser desconstruída, pode e deve ser ressignificada.
Portanto quanto mais cedo descobrirmos que: “E o que penso sobre o que pensam a meu respeito? Não penso. Dispenso.” Melhor!
Benjamin Franklin disse que: ”Existem três coisas extremamente duras: aço, diamante e conhecer a si mesmo”.
Penso que se Conhecer é tarefa a ser realizada com delicadeza, ternura e tempo.
É necessário mais que vontade para mergulhar nas próprias emoções, é imprescindível mesmo coragem para se olhar respeitosamente e com carinho, observando o positivo e negativo que nos habita.
Sem reconhecer as mazelas descuidadas que trazemos, não há possibilidades de transformações. Não mudo o que não conheço.
Entendo que o nosso olhar deve ser doce e generoso para conosco, pois que muitas vezes lamentamos o desamor alheio, sem olhar o própria desafeto que dedicamos a nós mesmos,  não preenchemos o abandono que nos aflige e  ficamos aguardando um “milagre” para que a fome de amor cesse.
Como solucionar uma questão sem dar a devida atenção?
Enquanto olho para fora de mim, desejando coisas, momentos, sem caminhar na direção do que verdadeiramente importa, ou seja, sem enxergar-me, tudo continuará do mesmo modo. Alguém ditará as regras de minha vida, talvez sejam confortáveis por um instante, mas é certo que a duração será temporária, pois que regras de uns não funcionam tão bem para outros...
Numa sociedade comandada pelo aparente, rápido e instantâneo, não se entende processo.
Posso passar uma vida distraída de mim, posso ficar esperando que alguém tão desnutrido quanto eu me nutra, posso e tenho direito de me iludir o tempo que eu quiser, mas uma coisa é certa, carinhos de plásticos não perduram, chega um momento que se quererá mais do que continuar enganando-se.
Conhecer-se pode fazer com que lágrimas rolem, mas essa dor ao ser acalentada e compreendida irá sarar, por outro lado, se insistirmos em não sair da superfície, viveremos com a incomoda sensação de que estará sempre faltando algo, e essa ausência é a nossa essência.
Por mais duro que seja o mergulho é libertador. Olhar para si como um ser merecedor de respeito, de cuidado, de atenção nos leva a novas perspectivas.
Quando iniciamos o processo de autoconhecimento deixamos de nos colocar nas mãos de terceiros desatenciosos, porque aprendendo a estimar a nossa companhia buscamos melhores parcerias e se por um tempo não encontrarmos, tudo bem! Alguém com certeza estará muito triste, mesmo sem o saber, por não caminhar ao nosso lado.
Nós entendemos que para construir um mundo amoroso, de paz, precisamos achar primeiro o caminho de nosso coração.
Não melhorarei enquanto não investigar o que me move, enquanto permitir-me ser vitima de meu desleixo por mim.
Amadurecer pode ser um processo encantador, mas requer vontade, perseverança.
Uma caminhada de descobertas não é feita de olho no fácil ou rápido. A estrada é longe e visitamos momentos diversos, escuros, sombrios, mas se continuarmos veremos luz, pois que somos criados da poeira de estrelas.

Com carinho

Sandra Miranda

quarta-feira, 24 de junho de 2015

segunda-feira, 22 de junho de 2015

A Outra face da raiva - Primeira fase do Estudo



A Outra face da raiva (2004) é um drama com traços de comédia que apresenta a raiva como resposta ao “abandono” sofrido por Terry Wolfmeyer (Joan Allen).
É sabido que raiva gera raiva (e ressentimento e vingança e patologias) e o filme bem mostra como também revela que a mesma não está desassociada da  tristeza, frustração, e sofrimento que se disfarçam no grito, no alcoolismo, no comportamento irascível da personagem.
Anestesiar a dor é prática atualíssima numa sociedade que anseia resultados encantadores e instantâneos, onde o rápido já ficou para trás, e se deseja uma vida paradisíaca, sem incômodos, pressões e aprendizados, enfim sem dores. Os outros podem sofrer! Lá fora o desastre, a fome, o assassínio pode acontecer, mas são coisas que acontecem e são prováveis lá e não aqui.
É interessante perceber que Terry sofre e faz sofrer pela perspectiva que percebe a adversidade ocorrida em sua vida. Pode-se imaginar que o relacionamento não vinha bem para que seus pensamentos tomassem o rumo que tomou, ou que ela estava trazendo a superfície o reflexo de suas feridas psíquicas. Quem vai saber?
Embora a raiva se manifeste no corpo (adrenalina, taquicardia, sudorese),é alimentada pelo que se acredita, pensa e alimenta no psiquismo...
Reconhecer a raiva e compreendê-la possibilita encontrar a nossa parte nos acontecimentos que experienciamos e perceber como lidamos com a impermanência das lições, além de evitar o ressentimento, já que sendo a raiva uma emoção primária é fato que acontecerá, porém mantê-la é uma questão de autoconhecimento.



Poemou ... Poemeu


Mascarados

Saiu o Semeador a semear

Semeou o dia todo
e a noite o apanhou ainda
com as mãos cheias de sementes.
Ele semeava tranquilo
sem pensar na colheita
porque muito tinha colhido
do que outros semearam.
Jovem, seja você esse semeador
Semeia com otimismo
Semeia com idealismo
as sementes vivas
da Paz e da Justiça.



Cora Coralina )

Porque a sua vida foi poesia que deixou poesias.
Sandra Miranda

O THYSSEN ESTÁ DE VISITA EM BRASÍLIA

  De  17/6 a 26/7 exposição a céu aberto, uma beleza atrás da outra. Capturei o que mais me chamou atenção. BERTHE MORISOT - O espelho psiqu...